| RUMO A UMA TECNOLOGIA NACIONAL |
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O desenvolvimento de uma tecnologia nacional constitui-se, nos últimos anos, em objetivo prioritário dos governos, em grande parte dos países em desenvolvimento. As economias dependentes da importação ou transferência de tecnologia são obrigadas a recorrer aos produtos da ciência e da tecnologia desenvolvidos nas nações industrialmente avançadas, a fim de elevar e manter as taxas de expansão econômica, consideradas indicadores representativos do desenvolvimento nacional.
Entretanto, a transferência e incorporação não-seletivas de inovações técnicas desenvolvidas no exterior ao sistema econômico nacional, raramente produzem os benefícios esperados, enquanto tendem a agravar a dependência externa. Nesse sentido, a transferência indiscriminada de tecnologia estrangeira pode transformar-se num acelerado aumento dos custos de produção, na qual, a pesada carga de “royalties”, juros, dividendos e lucros tende a agravar o déficit no balanço de pagamentos, provocando, em definitiva, o aumento brutal da dívida externa dos países em desenvolvimento. As formas inadequadas da oferta interna de tecnologia, por um lado, e a dependência de “know-how” externo, por outro, impedem o desenvolvimento de uma tecnologia nacional orientada para a solução dos problemas específicos dos países pobres, e o que é pior, desqualificam o trabalho criador dos cientistas e pesquisadores, que terminam limitando as inovações tecnológicas autônomas, além da conseqüente marginalização das iniciativas inovadoras dos empresários nacionais. A decisão política de realizar um projeto nacional autônomo implica, também, num programa específico e diferente de Ciência e Tecnologia. Nesse contexto, a educação cumpre um papel importantíssimo no quadro de referências de um projeto nacional consistente. É justamente a partir das ações de governo, tanto na educação como na política, que pode ser mudada a tecnologia tanto física como social. A sua condensação nas prioridades em P&D, deve-nos levar a ativa participação dos pesquisadores e universitários na construção e seleção de conhecimentos organizados, de modo a que se constituam num “ethos” apropriado para as tarefas do desenvolvimento tecnológico, livre das amarras e dos reflexos da dependência externa. Eng. Victor Alberto Danich Gerente Executivo da Incubadora de Projetos e Pesquisas Tecnológicas – JaraguaTec Prof. do Centro Universitário de Jaraguá do Sul – UNERJ |