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O futuro das empresas graduadas

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Enquanto os empreendedores encontram-se num ambiente protegido dentro de uma incubadora, suas empresas vão ganhando musculatura até estarem preparadas para ingressar no mercado na condição de “graduadas”. Isso significa que as mesmas começam sua caminhada por seus próprios meios. Uma nova etapa se inicia a partir de uma realidade diferente, na qual todo cuidado é pouco. Se por um lado a empresa pode iniciar um percurso virtuoso e expandir seus negócios, por outro, também encontra-se exposta a maiores dificuldades. Percebendo-se que tal momento pode ser decisivo para as empresas graduadas que deixam a incubadora, a Associação Nacional Promotora de Empreendimentos Inovadores – ANPROTEC, começou a implementar novas ações de modo a ajudar os empresários a fortalecerem a ampliação de seus negócios quando estiverem inseridos no mercado. Entre essas ações, resultado do debate acontecido no XXIII Seminário Nacional De Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, realizado em Recife em outubro de 2013, cujo tema principal esteve centrado nas melhores práticas na fase de pós-incubação, afim de discutir os pontos que precisam ser trabalhados para efetivar as chances de vida das empresas graduadas. Nesse sentido, a ANPROTEC está realizando neste ano uma pesquisa nacional em parceria com o SEBRAE, de modo a diagnosticar a situação das empresas graduadas que atuam no mercado. Este estudo está sendo coordenado pelo Instituto Christiano Becker de Estudos sobre Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação, como medida que permita fazer um levantamento das principais demandas das empresas graduadas, além de registrar o desempenho das mesmas num ambiente externo às incubadoras.

O Instituto tem dados suficientes para a elaboração de um diagnóstico, que permita revelar uma série de indicadores para estabelecer o que deverá ser feito em relação à sustentabilidade das empresas. Entre aqueles detectados, encontram-se cinco desafios para as empresas que chegam à etapa de pós-incubação, no qual se encontra a alta carga tributária, a falta de recursos para investimentos e desenvolvimento de produtos, falta capital de giro e escassez de mão de obra especializada. Segundo a equipe de coordenação do Instituto, a carga tributária e a falta de mão de obra são os empecilhos principais, já que os outros itens citados podem ser resolvidos, se houver uma proximidade maior entre as incubadoras incubadas e graduadas. Por outro lado, segundo o levantamento citado, não há falta de recursos no Brasil para inovação. O que sucede nesse contexto, é que muitos empreendedores que se graduaram nas incubadoras não possuem uma estrutura interna que lhes permita elaborar estratégias eficientes para obtenção de recursos. A pesquisa do instituto revela que “Cerca de 40% das graduadas são de pequeno porte e faturam até R$ 500 mil, o que faz com que o empreendedor vire uma espécie de faz-tudo na empresa, não encontrando tempo para se dedicar a elaboração de projetos em busca de editais de fomento”. Com dinheiro insuficiente em caixa, o empreendedor carece de alternativas para contratar uma consultoria que o ajude a captar recursos. Felizmente, as empresas incubadas podem usufruir, através de convênios, o acesso ao dinheiro por meio de agências de fomento, ao contrário das graduadas, que até carecem de recursos na modalidade de fundos de investimentos, como forma de fortalecer o próprio negócio num regime de parcerias.

– Prof. Victor A. Danich (Diretor Jaraguatec)

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